BRASIL CÁ DENTRO II
Folclore Catarinense
O Brasil, de épocas remotas, foi terra de esquecimento para alguns dos nossos. Quantas lágrimas, quanta angústia queimou em fogo brando os muitos corações que viram partir aqueles homens rijos, moldados a preceito na ilha, para a aventura do sertão. Não há palavras que sossegue um coração trespassado pela dor da grande viagem sem regresso.
É bom de ver agora que, ao menos, esses de antanho deixaram obra feita pelos quatro cantos desse gigante que é o Brasil.
Veja-se a romagem de uns tantos que, talhados pela arte dos sons, sentem mais alto o apego à terra que outros se viram na necessidade de a deixar.
Mas é hora de voltar para a Associação Coral de Florianópolis. E eles se foram com os olhos rasos, não de lágrimas, mas com a doçura das águas das lagoas, estreitando no peito a certeza de um dia voltar. Não sei se de tristeza, se de saudade, vi-os a todos como quem deixava o quarto, a casa, o amigo que se teve nas brincadeiras de criança. E um deles me disse:
- Olhe, você deve conhecer a canção do Jobim que diz: "tristeza não tem fim, felicidade sim...".
- E outras tantas mais - respondi.
- Eu sei que todo o mundo adora Jobim, mas te digo uma coisa, cara: na tua terra, felicidade é que não tem fim, não.
Não há maior prazer no mundo que é ter um amigo assim. É como ter todo o gozo das coisas, de uma só vez.
E como, só aos amigos, se conta uma história gostosa, ouvi esta, do alto do miradouro da Ponta do Sossego:
- Certa vez, um pequenino grão de areia, sonhador que era, olhou para o céu, em noite de lua nova, e viu uma estrela; e vai daí que logo imaginou coisas de amor... - começou o meu amigo a sua história encantadora, do modo que uma mãe embala o seu menino. Fez uma longa pausa, como se procurasse, mar adentro, mais inspiração. Depois, com o olhar perdido no meio do imenso mar, prosseguiu com toda a magia - muitos anos, mas muitos anos mesmo, se passaram, ela no céu, e ele à beira do mar. Todos afirmam que as duas criaturas românticas jamais se encontraram. Mas que houve alguma coisa entre eles, lá isso houve, só que ninguém pôde explicar - disse com um ar de profunda convicção.
Fiquei à espera, deleitado com toda a candura da história, já que ele continuava enamorado do muito mar que tinha pela frente. De repente, ele se vira para mim e me pergunta:
- Sabe, você, o que há de verdade em toda esta história?
Apenas sorri.
- É que desse sonho, desse grande amor, nasceu a estrela do mar.
Confesso que, naquele lugar paradisíaco, só essa história de encantar poderia ter lugar. Agora, imaginem, quando, mais tarde, ouvi o coral cantar, num doce tom menor, a linda história de amor - Estrela do Mar.
Mas, também, nos rimos muito com muitas conversas curiosas, durante o passeio ao Nordeste.
Com as surpresas que a ilha sempre revela, a toda a hora, chegámos à lagoa das Furnas para lhes mostrarmos as misteriosas covas dos cozidos. Viram, miraram, bateram fotos por tudo quanto foi sítio e, depois de tudo revisto e apreciado, há um que se deixa ficar para trás e me pergunta, à boca pequena, à porta do autocarro, quando quase todos se encontravam já lá dentro:
- Me diga uma coisa. Esse negócio, aí, não é gozação, não?
O Brasil, de épocas remotas, foi terra de esquecimento para alguns dos nossos. Quantas lágrimas, quanta angústia queimou em fogo brando os muitos corações que viram partir aqueles homens rijos, moldados a preceito na ilha, para a aventura do sertão. Não há palavras que sossegue um coração trespassado pela dor da grande viagem sem regresso.
É bom de ver agora que, ao menos, esses de antanho deixaram obra feita pelos quatro cantos desse gigante que é o Brasil.
Veja-se a romagem de uns tantos que, talhados pela arte dos sons, sentem mais alto o apego à terra que outros se viram na necessidade de a deixar.
Mas é hora de voltar para a Associação Coral de Florianópolis. E eles se foram com os olhos rasos, não de lágrimas, mas com a doçura das águas das lagoas, estreitando no peito a certeza de um dia voltar. Não sei se de tristeza, se de saudade, vi-os a todos como quem deixava o quarto, a casa, o amigo que se teve nas brincadeiras de criança. E um deles me disse:
- Olhe, você deve conhecer a canção do Jobim que diz: "tristeza não tem fim, felicidade sim...".
- E outras tantas mais - respondi.
- Eu sei que todo o mundo adora Jobim, mas te digo uma coisa, cara: na tua terra, felicidade é que não tem fim, não.
Não há maior prazer no mundo que é ter um amigo assim. É como ter todo o gozo das coisas, de uma só vez.
E como, só aos amigos, se conta uma história gostosa, ouvi esta, do alto do miradouro da Ponta do Sossego:
- Certa vez, um pequenino grão de areia, sonhador que era, olhou para o céu, em noite de lua nova, e viu uma estrela; e vai daí que logo imaginou coisas de amor... - começou o meu amigo a sua história encantadora, do modo que uma mãe embala o seu menino. Fez uma longa pausa, como se procurasse, mar adentro, mais inspiração. Depois, com o olhar perdido no meio do imenso mar, prosseguiu com toda a magia - muitos anos, mas muitos anos mesmo, se passaram, ela no céu, e ele à beira do mar. Todos afirmam que as duas criaturas românticas jamais se encontraram. Mas que houve alguma coisa entre eles, lá isso houve, só que ninguém pôde explicar - disse com um ar de profunda convicção.
Fiquei à espera, deleitado com toda a candura da história, já que ele continuava enamorado do muito mar que tinha pela frente. De repente, ele se vira para mim e me pergunta:
- Sabe, você, o que há de verdade em toda esta história?
Apenas sorri.
- É que desse sonho, desse grande amor, nasceu a estrela do mar.
Confesso que, naquele lugar paradisíaco, só essa história de encantar poderia ter lugar. Agora, imaginem, quando, mais tarde, ouvi o coral cantar, num doce tom menor, a linda história de amor - Estrela do Mar.
Mas, também, nos rimos muito com muitas conversas curiosas, durante o passeio ao Nordeste.
Com as surpresas que a ilha sempre revela, a toda a hora, chegámos à lagoa das Furnas para lhes mostrarmos as misteriosas covas dos cozidos. Viram, miraram, bateram fotos por tudo quanto foi sítio e, depois de tudo revisto e apreciado, há um que se deixa ficar para trás e me pergunta, à boca pequena, à porta do autocarro, quando quase todos se encontravam já lá dentro:
- Me diga uma coisa. Esse negócio, aí, não é gozação, não?


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